Trechos da notícia publicada na Folha online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u510681.shtml):
"Quase três meses após o fim da 28ª Bienal de São Paulo, pelo menos oito dos 41 artistas na mostra ainda não foram pagos por sua participação, ou tiveram apenas parte do cachê depositado, informa Silas Martí na edição de hoje da Folha."
"Tentando evitar mais estresse, alguns artistas estrangeiros, como o norte-americano Casey Spooner, do duo eletrônico Fischerspooner, o argentino Martiniano López-Crozet e a mexicana Milena Muzquiz, do Los Super Elegantes, foram mais duros na negociação. Spooner se recusou a pegar o avião para fazer sua performance no Brasil até que depositassem o cachê na sua conta, enquanto López-Crozet e Muzquiz esperaram mais de três meses para receber, sendo que tiveram o dinheiro depositado só quando ameaçaram falar sobre o caso numa entrevista ao jornal "The New York Times". "
Comentário: Posso parecer bobo, mas eu não sabia que a bienal, ou qualquer exposição de grande porte, pagava "cachê" para os artistas. Nunca ouvi falar que uma coisa parecida tenha acontecido antes na história da arte. Eu compreendo que um curador possa dar uma ajuda de custo para transporte ou coisa parecida, mas pagar para artista expôr? Que nem pagar para um ex-BBB aparecer numa festa? O que mais me decepciona é como alguns artistas podem ser mercenários - tipo, me dá dinheiro e eu faço arte. Não sei se foi exatamente o que aconteceu no caso da Bienal mas, se foi, é assustador.
No Salon de Paris, que monopolizou as atenções da crítica e do público por 200 anos, os artistas não recebiam nada para expor e se sentiam muito privilegiados por estar na companhia das maiores sumidades de seu tempo. Nem inscrição tinham que pagar, e tudo era bancado pelo Estado. Talvez essa isenção, pelo menos econômica, tenha contribuído para a importância e para a longevidade do Salon.
Mas pior que isso, são curadores que dão calote nos artistas. Se entrou no jogo, que pelo menos tenha a dignidade de cumprir sua parte, pois os custos de produzir uma obra para a bienal não são poucos, fora o tempo que o artista dedicou para aquilo.
Realmente, assustador.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Edital para logo de Brasília 50 anos premia com 15 mil reais
Estão abertas, a partir desta segunda-feira (9/2), as inscrições para o concurso que elegerá a logomarca comemorativa dos 50 anos de Brasília. As propostas devem ser entregues na Secretaria de Cultura até 25 de março. O concurso é aberto para brasileiros de qualquer lugar do país. O prêmio para o ganhador será de R$ 15 mil. O resultado do processo será divulgado no dia 31/03.Os candidatos devem ser formados ou estudantes universitários dos cursos de artes plásticas, desenho industrial ou publicidade. Cada participante só poderá concorrer com um trabalho. Pessoas jurídicas não podem participar do concurso e menores de 18 anos só poderão se inscrever com autorização de um responsável.O prêmio será entregue durante os festejos dos 49 anos de Brasília, quando o público conhecerá a logo comemorativa do cinqüentenário no dia 21 de abril. A marca será utilizada em todas as publicações do GDF, impressos, eventos e material publicitário. ServiçosEndereço para envio de propostas:Secretaria de Estado de Cultura do Distrito Federal Subsecretaria de Políticas Culturais do DFSDN Via N2 - Anexo do Teatro Nacional Cláudio Santoro. CEP: 70.070-200 Brasília - DF
[http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2009/02/09/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=76961/noticia_interna.shtml]
[http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_13/2009/02/09/noticia_interna,id_sessao=13&id_noticia=76961/noticia_interna.shtml]
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O poder de mudança da juventude

Em 1848 um grupo de estudantes da Royal Academy de Londres decidiu fundar um novo movimento artístico; melhor, decidiram fundar uma nova arte. Capitaneados por Millais (na época com 19 anos), Hunt (21) e Rossetti (20), esse grupo de jovens queria promover uma pintura viva, ligada à natureza, baseada na vida, e não inspirada nos antigos, ou nas normas acadêmicas, cheias de poses ensaiadas, cores quentes e previsíveis e de temas insossos. Decidiram batizar o grupo de Irmandade Pré-Rafaelita.
Em 1849 expuseram os primeiros trabalhos, que fizeram sucesso prontamente e rapidamente encontraram compradores. Seu estilo cheio de cores vivas, poses inéditas, e um trabalho de observação da
natureza impecável conquistou público e crítica. Contudo, mantinham em segredo
a existência da Irmandade e seus princípios.
Em 1850, pouco antes dos Pré-Rafaelitas exporem novamente, a imprensa descobriu a existência da Irmandade e a crítica de arte desqualificou os trabalhos dos jovens, chamando-os de pretensiosos, místicos e exageradamente detalhistas. Os jovens pintores passaram a ser ridicularizados e excluídos por seus colegas na Royal Academy, e os compradores esnobaram
Em 1849 expuseram os primeiros trabalhos, que fizeram sucesso prontamente e rapidamente encontraram compradores. Seu estilo cheio de cores vivas, poses inéditas, e um trabalho de observação da
natureza impecável conquistou público e crítica. Contudo, mantinham em segredo
a existência da Irmandade e seus princípios.Em 1850, pouco antes dos Pré-Rafaelitas exporem novamente, a imprensa descobriu a existência da Irmandade e a crítica de arte desqualificou os trabalhos dos jovens, chamando-os de pretensiosos, místicos e exageradamente detalhistas. Os jovens pintores passaram a ser ridicularizados e excluídos por seus colegas na Royal Academy, e os compradores esnobaram
seus trabalhos. Millais, Rossetti e Hunt, preocupados com as reações adversas, escreveram para um crítico de arte pedindo ajuda. Esse crítico, Ruskin, escreveu para os jornais defendendo os jovens e seus princípios. Paulatinamente, esses pintores voltaram às graças da crítica, do mercado e do público,
e influenciaram a partir daí todas as gerações de artistas ingleses, incluindo Waterhouse, Burne-Jones, Herkomer etc, sendo precursores de vários movimentos, como o simbolismo e o impressionismo.
Aqueles jovens, que na época tinham apenas 20 anos de idade, criaram uma arte que hoje é considerada o primeiro movimento artístico britânico; ou seja, a primeira arte nacional da Inglaterra. Essa história serve para lembrar-nos, estudantes de artes, que a arte às vezes precisa de um sopro de vida que apenas a juventude
pode dar. Dom Pedro I tinha 23 anos quando proclamou a independência e Pedro Américo tinha apenas 16 quando se formou na Academia Imperial do Rio de Janeiro. Façamos nossas as palavras de Ingres, quando tinha apenas 26 anos: “A arte precisa de uma reforma e eu quero ser esse revolucionário”. Não deixemos a arte perecer.
e influenciaram a partir daí todas as gerações de artistas ingleses, incluindo Waterhouse, Burne-Jones, Herkomer etc, sendo precursores de vários movimentos, como o simbolismo e o impressionismo.Aqueles jovens, que na época tinham apenas 20 anos de idade, criaram uma arte que hoje é considerada o primeiro movimento artístico britânico; ou seja, a primeira arte nacional da Inglaterra. Essa história serve para lembrar-nos, estudantes de artes, que a arte às vezes precisa de um sopro de vida que apenas a juventude
pode dar. Dom Pedro I tinha 23 anos quando proclamou a independência e Pedro Américo tinha apenas 16 quando se formou na Academia Imperial do Rio de Janeiro. Façamos nossas as palavras de Ingres, quando tinha apenas 26 anos: “A arte precisa de uma reforma e eu quero ser esse revolucionário”. Não deixemos a arte perecer. Imagens:
Dante Gabriel Rossetti, Dantis Amor
John Everett Millais, The Bridesmaid
William Holman Hunt. The Finding of the Savior in the Temple
John Everett Millais, Ophelia
Burne-Jones, The Wheel of Fortune
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